Radio Jukebox

sábado, 14 de abril de 2007

TOM ZÉ


1. São São Paulo
2. Curso intensivo de boas maneiras
3. Glória
4. Namorinho de portão
5. Catecismo, creme dental e eu
6. Camelô
7. Não buzine que eu estou paquerando
8. Profissão de ladrão
9. Sem entrada e sem mais nada
10. Parque industrial
11. Quero sambar meu bem
12. Sabor de burrice

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Este disco é uma preciosidade. Seu relançamento deve ser festejado como a descoberta de um tesouro - senão perdido - esquecido, enterrado e abandonado. Injusta e injustificadamente abandonado. E no entanto, trata-se de uma obra-prima - e primeira - de um criador singular, esse mestre de invenções e intervenções artísticas chamado Tom Zé. Um disco digno de ser enfim reconhecido como representativo do tropicalismo, assim como os demais, conhecidos, do movimento: os individuais de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Os Mutantes, além do coletivo. Da companhia destes, "Tom Zé" havia sido alijado, ao sair de circulação.
Como eles, foi gravado, em 1968, sob o signo da revolução e da liberdade criativa. Suas composições expõem as marcas - tipicamente tropicalistas - da surpresa e do sincretismo. Compassos se alternam, dão-se mudanças às vezes radicais de andamento. Estruturas por colagem e/ou montagem, as canções, fracionadas, misturam ritmos (exemplo: iê-iê-iê e música sertaneja, em "Sabor de Burrice), instaurando inesperadas atmosferas em uma mesma faixa. Tudo ilustrado paralelamente pelos arranjos. Estes desempanham papel fundamental no encontro entre música popular e erudita contemporânea que o disco promove. Criados por Damiano Cozzela e Sandino Hohagen, maestros do grupo música nova, combinam elementos díspares - do folclore ao rock - num trabalho ao mesmo tempo antenado com a vanguarda e enraizado na tradição. As instumentações são inusuais. Um arsenal de ruídos - sinos, buzinas, despertadores - e sons variados - aleatórios, de fanfarras, etc - é convocado. Incorporam-se cacos, acasos, erros, além de narrações, conversas e discursos, sem contar vocais onomatopéicos. Resultado: cada faixa se torna um acontecimento sonoro-musical. Mais relevante ainda talvez seja a forma como os arranjos se relacionam com as letras, como replicam às suas instigações, criando os climas por elas requeridos. Examine-se um detalhe de "Sem Entrada e Sem Mais Nada", por exemplo. Num dado trecho, acordes deliberadamente cafonas são tocados para comentar a expressão "cinco letras que choram", verso que, na canção, está se referindo a "FIADO" e também parodiando (no nível melódico inclusive) um antigo sucesso homônimo de Francisco Alves, co-intituladao "Adeus". Importante, a propósito das citações, é que elas são sempre pertinentes, nunca gratuitas. E, mais do que serem várias, chama a atenção o leque de sua livre diversidade: do samba "Upa Neguinho" (em "Quero Sambar, Meu Bem") ao hino "Deus Salve a América" (na introdução de "Parque Industrial"), de "Cai, Cai, Balão" ao iê-iê-iê brega "Bom Rapaz" (em "Namorinho de Portão"). No centro de tudo, encontra-se naturalmente Tom Zé, singularizando-se já por suas qualidades de cantor - cujas interpretações assinalam, inteligentemente, o tom paródico e/ou irônico dos textos. De compositor - com uma formação sofisticada para um autor de canções à época, revelando conhecimentos hauridos no campo erudito. De músico - aberto a experimentações. De artista - com proposta e postura nova e ousada. De letrista - de versos provocativos, gozativos, satiricamente críticos. Mais intensamente do que os damais poetas do tropicalismo - Caetano, Gil , Capinan e Torquato Neto -, Tom Zé usa e abusa de uma linguagem carregada de mordacidade e de tipo coloquial-irônico. Nesse sentido, ele foi o Tristan Corbiére do movimento. Como resistir ao humor de versos como: "Entrei na liquidação/ Saí quase liquidado"? ou a estes, desconcertantes: "Pois um anjo do cinema/ já revelou que o futuro/ da família brasileira/ será o hálito puro,.../Ah"!? ou à força do refrão de "Glória"? E há aqueles ainda que fazem uma declaração de princípios poéticos, valendo por um lema estético a ser seguido: "Quero sambar meu bem/ (...)/ Não quero é vender flores nem saudade perfumada/ (...) / Mas eu não quero andar na fossa/ cultivando tradição embalsamada".
No disco, não há uma só música que não seja característicamente crítica. Nem "São São Paulo, Meu Amor" - ode? - escapa a isso. E a vei satírica de Tom Zé investe implacavelmente contra vários alvos. Eis alguns deles. O capitalismo, na imagem do homem de negócios (em "Não Buzine que Eu Estou Paquerando"). A burguesia, ridicularizada em sua moral, seus hábitos e aspirações, na figura do chefe de família ("Glória"). A sociedade de consumo e as imagens-símbolo, publicitárias, do consumo ("Catecismo, Creme Dental e Eu" e "Parque Industrial"). As convenções, sociais e comportamentais ("Curso Intensivo de Boas Maneiras"), bem como as linguísticas ("Sabor de Burrice"): nesse último caso, a própria letra assume um discurso retórico-acadêmico, num emprego consciente do mau gosto para efeito crítico. Em suma, o que Tom Zé não poupa é o limitado horizonte espiritual de sistemas e estilo de vida vazios e, com estes, seus praticantes. Tais fatores de fundo, aliado aos componentes formais do disco, colaboram para fazer dele uma obra audaciosa e desafiadora, de alguém que reúne senso crítico e estético; um homem sertanejo de origem e forte de caráter, que se tornou um artista urbano e moderno (e que assim, acabou fazendo a "ligação direta [...] entre o rural e o experimental" para lembrar as palavras de Caetano sobre ele em "Verdade Tropical").
Agora, o Brasil passa a dispor, finalmente em CD, de mais um trabalho seu a servir de informação cultural qualitativa para as novas gerações. E os norte-americanos, os jovens em especial, já poderão contar com a referência de mais uma "nova" obra de relevo da escola de vanguarda que. para alguns deles, o tropicalismo se tornou.

Texto de Carlos Rennó, encartado no relançamento em CD.

1970 Tom Zé

1. Lá vem a onda
2. Guindaste à rigor
3. Distância
4. Dulcinéia popular brasileira
5. Qualquer bobagem
6. O Riso e a faca
7. Jimi renda-se
8. Me dá me dê me diz
9. Passageiro
10. Escolinha de Robô
11. Jeitinho dela
12. A gravata

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1972 Se o Caso é Chorar

1. Happy end
2. Frevo
3. A babá
4. Menina, amanhã de manhã (O sonho voltou)
5. Dor e dor
6. Senhor cidadão
7. A briga do edifício Itália com o Hilton Hotel
8. O anfitrião
9. O abacaxi de Irará
10. O sândalo
11. Se o caso é chorar
12. Sonho colorido de um pintor

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1973 Todos os Olhos

1. Complexo de épico
2. A noite do meu bem
3. Cademar
4. Todos os olhos
5. Dodó e Zezé
6. Quando eu era sem ninguém
7. Brigitte Bardot
8. Augusta, Angélica e Consolação
9. Botaram tanta fumaça
10. O riso e a faca
11. Um oh e um ah
12. Complexo de épico (Reprise)

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1976 Estudando o Samba

1. Mã
2. A felicidade
3. Toc
4. Tô
5. Vai (Menina amanhã de manhã)
6. Ui! (Você inventa)
7. Doi
8. Mãe (Mãe solteira)
9. Hein?
10. Só (Solidão)
11. Se
12. Índice

‘Estudando o Samba’, é o disco que David Byrne encontrou numa prateleira de samba, devido à falta de conhecimento de um funcionário de uma loja de discos.

David Byrne ficou tão impressionado com a inventividade de Tom Zé, que procurou por esse artista com uma dúvida na cabeça: “Como um país que tem um artista como Tom Zé, mas ninguém conhece esse artista?”.

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1978 Correio da estação do Brás

1. Menina Jesus
2. Morena
3. Correio da estação do Brás
4. Carta
5. Pecado original
6. Lavagem da igreja de Irará
7. Pecado, rifa e revista
8. A volta da xanduzina
9. Amor de estrada
10. Lá vem cuíca
11. Na parada de sucesso

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Tom Zé estava relegado ao circuito universitário, onde fazia apresentações esporádicas sozinho ao violão. Pois é dessa época, de ostracismo, que é o disco ‘No Jardim da Política’. Assim como o álbum ‘Nave Maria’.

1984 Nave Maria

1. Nave Maria
2. Moamar no mundo
3. Su su menino Mandú
4. Cilindrada
5. Identificação
6. Neném gravidez
7. Acalanto nuclear
8. Conto de fraldas
9. Mestre sala
10. Teu olhar

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1985 No Jardim da Política

1. No jardim da política (Introdução)
2. Democracia
3. Sobre a liberdade
4. No jardim da política
5. Classe operária
6. Desafio do bóia-fria (Folclore)
7. Marcha partido
8. Figura nacional
9. Dólar
10. Vá tomar
11. Minha carta

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Os álbuns 'Hips of Traditions" e 'Com Defeito de Fabricação', foram os dois discos que marcaram o retorno de Tom Zé aos palcos e sua volta por cima.

1992 Hips of Traditions

1. Ogodô, ano 2000
2. Sem a letra A
3. Feira de Santana
4. Sofro de juventude
5. Cortina 1
6. Ta-hí
7. Iracema
8. Fliperama
9. O amor é velho-menina
10. Cortina 2
11. Tatuarambá
12. Jingle do disco
13. Lua-gira-sol
14. Cortina 3
15. Multiplicar-se única
16. Cortina 4
17. O pão nosso de cada mês
18. Amar

O disco produzido por David Byrne

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Tom Zé gravou duas trilhas para espetáculos do Grupo Corpo. Esta é a 1ª: 'Parabelo', com José Miguel Wisnik.


1997 Parabelo (& Zé Miguel Wisnik)


1. Emerê
2. Emoremê
3. Assum branco
4. Baião velho
5. Uauá
6. Canudos
7. Bendegó
8. Cego com cego
9. Xique-xique

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1998 Com Defeito de Fabricação

1. Defeito 1 - O gene
2. Defeito 2 - Curiosidade
3. Defeito 3 - Politicar
4. Defeito 4 - Emerê
5. Defeito 5 - O olho do lago
6. Defeito 6 - Esteticar
7. Defeito 7 - Dançar
8. Defeito 8 – ONU: Vendem-se armas
9. Defeito 9 - Juventude javali
10. Defeito 10 - Cedotardar
11. Defeito 11 - Tangolomango
12. Defeito 12 - Valsar
13. Defeito 13 - Burrice
14. Defeito 14 – Xique-xique

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No disco ‘Postmodern Platos’, Tom Zé é remixado por diversos músicos renomados como Amon Tobin e Sean Ono Lennon. Todas as músicas são oriundas do disco ‘Com Defeito de Fabricação’ e do ‘Parabelo’.

1999 Postmodern Platos

1. Curiosidade (High Llamas remix)
2. Curiosidade (John McEntire remix)
3. O olho do lago (Sean Lennon remix)
4. Curiosidade (Amon Tobin remix)
5. O gene (Gene to Gene remix)
6. Canudos


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Em ‘Jogos de Armar’ Tom Zé lançou um álbum com um disco auxiliar, que serviria para qualquer um que estivesse a fim de tocar junto com a banda do Tom Zé. Era só ouvir o disco e pegar seus instrumentos para tocar no silêncio deixado no meio das faixas, que eram as mesmas do disco.

2000 Jogos de Armar

1. Passagem de som
2. Peixe viva (Iê-quitinguelê)
3. Jimi renda-se/ Moeda falsa
4. Chamegá
5. Desafio
6. Pisa na fulo
7. Asa branca
8. Conto de fraldas
9. Medo de mulher
10. O pib da pib (Prostiuir)
11. Cafuas, guetos e santuários
12. A chegada de Raul Seixas e Lampião no FMI
13. Perisséia
14. Sonhar

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Jukebox (Disco Auxiliar)

'Santagustin', gravado em parceria com Gilberto Assis, é a 2ª das trilhas para espetáculos do Grupo Corpo'.

2002 Santagustin (& Gilberto Assis)

1. Marco da era
2. Ayres da Mantiqueira
3. Nogueira do monte
4. Moura-Sion
5. Pixinguim-rasqueira e outras
6. Ciro-gberto
7. Bate-boca

Jukebox (pt.1)
Jukebox (pt.2)

Produzido por Jair Oliveira, o disco ‘Imprensa Cantada’ traz um Tom Zé preocupado com as questões sobre a paz.

2003 Imprensa Cantada

1. Dona Divergência
2. Companheiro Bush
3. Requerimento à censura
4. Desenrock-se
5. Interlagos F1
6. 1, 2, identificação
7. Urgente, pela paz
8. Sem saia, sem cera, censura
9. Vaia de bêbado
10. Língua brasileira
11. Vaia de bêbado (Instrumental)
12. São São Paulo
13. Você é o mel
14. Bate boca

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Tom Zé se reinventou mais uma vez com esse disco e mostrou um lado sensível ao compor uma obra em homenagem à mulher. Ele buscou mais uma vez a produção de Jair Oliveira para realizar essa opereta sobre a segregação da mulher.

Nesse disco há participações de Zélia Duncan, Edson Cordeiro, Luciana Melo e Patrícia Marx. Com esse disco, Tom Zé propôs uma continuação de sua obra mais famosa, o ‘Estudando o Samba’, que foi o disco que David Byrne, dos ‘Talking Heads’, descobriu o som de Tom Zé e reapresentou-o ao mundo.

2005 Estudando o Pagode (Na Opereta Segregamulher e Amor)

1. Ave dor Maria
2. Estúpido rapaz
3. Proposta de amor
4. Quero pensar (A mulher de Bath)
5. Mulher navio negreiro
6. Pagode-enredo dos tempos do medo
7. Canção da nora (Casa de bonecas)
8. O Amor é um rock
9. Duas opiniões
10. Elaeu
11. Vibração da carne
12. Para pá do Pará
13. Prazer carnal
14. Teatro (Dom Quixote)
15. A volta do trem das onze
16. Beatles a granel

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2006 Danç-Êh-Sá (Dança dos Herdeiros do Sacrifício)

1. Uai uai (Revolta Queto-Xambá 1832)
2. Atchim (Revolta Paiaiá 1673)
3. Triu-trii (Revolta Malê 1835)
4. Cara-cuá (Revolta Nagô-Oió 1830)
5. Acum-mahá (Revolta Jege-Mina-Fon 1834)
6. Taka-tá (Revolta Banta 1910)
7. Abrindo as urnas (Encourados De Pedrão 1823)

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O disco novo, gravado ao vivo em cima do material do ‘Danç-Êh-Sá (Dança dos Herdeiros do Sacrifício)’.

Esse disco foi mal compreendido pela maioria da audiência, que complexidade das harmonias e da simplicidade das letras. Não existem letras com significados, mas onomatopéias que servem para fazer contraponto às melodias criadas pelo Tom Zé.

É exatamente isso que torna o disco tão genial. A complexidade das harmonias do Tom Zé com as letras em onomatopéias tornam o disco internacional. Fazem com que qualquer pessoa do planeta possa apreciar o Tom Zé com toda sua complexidade.

E o disco novo do Tom Zé ainda nem chegou nas lojas especializadas, mas já foi lançado virtualmente pela Trama, gravadora do artista.

Nesse disco, Tom Zé brinda o ouvinte com as músicas do disco ‘Danç-Êh-Sá’ e mais um versão onomatopéica para ‘Xique-xique’, música que compôs em parceria de José Miguel Wisnik para a trilha do espetáculo ‘Parabelo’ do Grupo Corpo. Essa mesma música saiu em versão editada no disco ‘Com Defeito de Fabricação’ de Tom Zé.

As músicas são versões com o peso de um espetáculo ao vivo, muito bem gravado. No princípio pode causar estranheza, mas no decorrer da audição percebe-se a genialidade de Tom Zé. Que privilégio dever ser para esses músicos tocar com Tom Zé. Os privilegiados são Jarbas Mariz no vocal, viola de 12 cordas, cavaquinho e percussão; Cristina Carneiro no vocal e teclado; Daniel Maia no vocal e baixo; Sérgio Caetano na guitarra; Lauro Léllis na bateria e Luanda nos vocais.

Tom Zé é um artista sem igual. É o único que mantém ligação forte com os princípios do Tropicalismo, movimento que fez parte junto com Caetano e Gil. Enquanto os outros baianos ilustres dedicam-se à música popular, Tom Zé continua inventando e inovando, que era o fundamento básico do movimento dos anos 60.

Tom Zé sempre esteve muito próximo da cultura popular e suas manifestações, apesar das músicas cheias de contrapontos e melodias difíceis de assimilação. A prova disso são as respostas de Tom Zé quando perguntado sobre as ditas manifestações populares, como o funk carioca, que ele chamou de ‘micro-tonal, pluri-semiótico e meta-refrão’, e que segundo ele foi uma grande influência para fazer esse disco ‘Danç-Êh-Sá’.


2008 Danç-Êh-Sá (Dança dos Herdeiros do Sacrifício - O Fim da Canção) Ao Vivo

1. Acum-mahá
2. Atchim
3. Uai uai
4. Triu-trii
5. Taka-tá
6. Cara-cuá
7. Abrindo as urnas
8. Xique-xique

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JARDS MACALÉ


Cantor, violonista, compositor, arranjador e ator, o carioca Jards Anet da Silva viveu desde cedo em meio à música, seja ouvindo, tocando ou estudando, chegando a trabalhar como copista do maestro Severino Araújo. No futebol, porém, era uma negação: ganhou dos amigos de pelada o apelido de Macalé em "homenagem" ao pior jogador do Botafogo da época. Amigo dos músicos baianos, em 1966 dirigiu um show de Maria Bethânia. Acompanhou de perto o Tropicalismo e, em 1969, entrou sob vaias no IV Festival Internacional da Canção, numa teatral apresentação do rock "Gotham City". Em 1970, Macalé foi a Londres em encontro dos baianos exilados. Com músicas gravadas por Gal Costa ("Hotel das Estrelas", "Vapor Barato"), Maria Bethânia ("Anjo Exterminado" e "Movimento dos Barcos") e Clara Nunes ("O Mais-Que-Perfeito"), resolveu fazer, na volta para o Brasil, seu primeiro LP solo, "Jards Macalé" (1972). No ano seguinte, gravou ao vivo, com vários artistas, o "Banquete dos Mendigos", disco duplo para comemorar o 25º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Censurado, o álbum só saiu anos mais tarde. Em 1974, Macalé lançou o LP "Aprender a Nadar", apresentando a linha de morbeza (morbidez + beleza) romântica do parceiro Waly Salomão. Num dos vários lances de irreverência de sua carreira, alugou uma das barcas da Cantareira para fazer o lançamento do disco e terminou o show jogando-se no mar.Biografia: Cliquemusic
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Jards Macalé (1972)
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capas

Phonogram 6349 045

01 Farinha do desprezo (Capinan - Jards Macalé)
02 Revendo amigos (Jards Macalé-Waly Salomão)
03 Mal secreto (Jards Macalé-Waly Salomão)
04 78 Rotações (Capinan-Jards Macalé)
05 Movimento dos barcos (Capinan-Jards Macalé)
06 Meu amor me agarra & geme & treme & chora & mata (Capinan-Jards Macalé)
07 Let's play that (Jards Macalé-Torquato Neto)
08 Farrapo humano (Luiz Melodia)
......A morte (Gilberto Gil)
09 Hotel das estrelas (Duda-Jards Macalé)

Jards Macalé - vocal, acoust guitar
Lanny Gordin - electric bass, guitar
Tuti Moreno - drums

arranged by Jards Macale, Lanny Gordin, Tuti Moreno





Jards Macalé - Aprender a Nadar (1974)
01. Jards Anet da Vida
02. Dois Corações / No Meio do Mato / O Faquir da Dor / Ruas Real Grandeza / Pam Pam Pam
03. Imagens
04. Anjo Exterminado
05. Dona de Castelo
06. Mambo da Cantareira
07. E Dai?
08. Orora Analfabeta
09. Senhor dos Sábados
10. Boneca Semiótica

Aprender a nadar, segundo disco de Jards, foi sua tentativa de arranhar as paradas de sucesso. Foi algo que ele até conseguiu e que lhe valeu alguma - boa - mídia, mas não o suficiente para livrá-lo da pecha de "maldito", de anti-comercial.
Apesar da pouca vendagem do primeiro disco, a Philips decidiu manter o contrato do cantor, que aproveitou para gravar um álbum bem menos "econômico", com arranjos mais elaborados - ao contrário do primeiro, no qual se restringia a um grupo básico. Em Aprender a nadar, aparecem músicos de estúdio como Wagner Tiso (arranjos, piano), Robertinho Silva (bateria), Rubão Sabino (baixo) e Ion Muniz (flauta), além de um regional que inclui os experientes Canhoto (cavaquinho) e Dino Sete Cordas (violão). Concebido ao lado de Waly Salomão (que usava a alcunha lisérgica de Wally Sailormoon) era um disco conceitual, com faixas que tratavam de uma certa "linha de morbeza romântica" - morbeza, um neologismo inventado por Waly, era uma mistura de morbidez e beleza, que ele definia como "uma idéia para identificar uma linha de ação, como uma estratégia da qual depois se larga e se busca outra". Tal idéia esteve por trás de pelo menos quatro faixas do disco, "O Faquir da Dor", "Rua Real Grandeza", "Anjo Exterminado" (gravada numa versão mais radiofônica por Maria Bethânia no disco Drama) e "Dona do Castelo", como uma retomada, sob um viés tropicalizado, da antiga dor-de-cotovelo. Músicas antigas do estilo - ou aproximadas a ele - eram revisitadas em algumas regravações, como "Imagens", de Orestes Barbosa (quase uma pré-psicodelia, em versos estranhos como "a lua é gema do ovo/no copo azul lá do céu.../o beijo é fósforo aceso/na palha seca do amor"). O maior sucesso do LP, no entanto, foi a regravação do clássico "Mambo da Cantareira", antigo sucesso de Gordurinha - que serviu de pretexto para Macalé alugar uma barca da travessia Rio-Niterói e pular na baía de Guanabara ao som da música, na festa de lançamento do álbum. "Orora analfabeta", outro grande sucesso de Gordurinha, cuja letra sacaneava a ignorância das elites, também estava no LP, e também fez sucesso (os versos iniciais são inesquecíveis: "Conheci uma dona boa lá em Cascadura...").O lado experimental do disco ficava por conta de estranhas vinhetas, como as cinematográficas "Jards Anet da Vida", "No meio do mato" e "O faquir da dor", além da interface música-artes plásticas-cinema, que encontrava seu desvelo na arte da capa e do encarte (com fotogramas de Kakodddevrydo, filme de Luís Carlos Lacerda) e na dedicatória a Lygia Clark e Hélio Oiticica.
Numa época em que o barato era freqüentar Ipanema, Jards homenageava um dos pedaços mais suburbanos da zona sul carioca ("Rua Real Grandeza", finalizada com uma engraçada vinheta baseada em "Pam-Pam-Pam", de Paulo da Portela, na qual Wally "tocava" chaves e porta). O disco ainda apresentava o poeta underground Ricardo Chacal, lendária figura da vida cultural carioca - até hoje, aliás - ao mundo da música, como letrista de "Boneca semiótica", composta com Macalé, Duda e o multi-homem baiano Rogério Duarte.

Texto de Ricardo Schott.

(1974) O Banquete dos Mendigos

(1977) Contrastes


quinta-feira, 12 de abril de 2007

A BOLHA


É incrível a história de A Bôlha, que iniciando como The Bubbles, passou de um mero conjunto de bailes da zona sul do Rio de Janeiro, para se tornar no período de quatro anos em um dos melhores e mais pesados conjuntos de bailes do seu estado. Depois, arriscaram tudo e deram o salto, investindo mesmo contra os conselhos de empresários, em repertório e imagem própria. Tornam-se então A Bôlha, que com algumas mudanças cruciais de integrantes, pavimentam o caminho para futuras bandas como Modulo 1000 e Veludo Elétrico, além de seus integrantes fundarem posteriormente outras bandas de maior êxito comercial como Herva Doce e Hanoi Hanoi.

A história de A Bôlha começa com as aspirações musicais dos irmãos Cesar e Renato Ladeira. Em uma viagem com os país aos Estados Unidos, os dois adolescentes se vêm pegos em meio ao turbilhão da Beatlemania. Com noções de violão, passam a se dedicar ao instrumento com mais afinco. Com a intenção fixa de formar um conjunto, encontram nos irmãos Lincoln e Ricardo Bittencourt a formação ideal. Nasce portanto, The Bubbles.

The Bubbles (65-70)

Renato Fronzi Ladeira - guitarra, teclados e vocais
Cesar Fronzi Ladeira - guitarra
Lincoln Bittencourt - baixo
Ricardo Roriz - bateria

O próximo passo foi eletrificar a banda, todos investindo em guitarras elétricas, além do infalível órgão Farfisa. Junto com Renato e Seus Blue Caps, The Fevers, The Clevers e outros daquele período, The Bubbles tornam-se uma boa e respeitável banda de baile, atuando em clubes sociais e festas escolares. Com um repertório típico dos conjuntos de baile da época, oferecem horas de agito nos sábados com fartas dosagens de Rolling Stones, Beatles, no melhor estilo Iê- Iê- Iê. Com um contrato com a Musidisc, lançam os compactos “Não Vou Cortar o Cabelo” que é uma versão em portugues de "Break It All" do The Shakers. O lado B segue a mesma logica, oferecendo uma versão de “Get Off My Cloud” dos Rolling Stones chamado “Porque Sou Tão Feio.”

A popularidade do grupo vai crescendo, assim como a habilidade do conjunto de imitar com mais afinco, a sonoridade de suas bandas prediletas. Essencialmente uma banda de zona sul, passam rapidamente a cobrir e ser aceitos também na zona norte e subúrdios. O repertório passa a ficar cada vez mais diversificado, mudando conforme os tempos. Em 1968, o irmão mais velho Cesar Ladeira deixa The Bubbles para se dedicar aos estudos. Acabaria se formando e seguindo uma vida próspera trabalhando na Bolsa de Valores. Em seu lugar veio Pedro Lima, um guitarrista com um gosto por rock mais pesado. Não demoraria para Lincoln Bittencourt também deixar o grupo, sendo substituído então por Arnaldo Brandão de dezoito anos, que tocava na banda The Divers.

Com a nova formação, The Bubbles se transformava em um conjunto bem mais pesado. Seu repertório passava a incluir Cream, Hendrix, e mais tarde Grand Funk e Black Sabbath. Ainda basicamente um conjunto de baile, e portanto limitados a tocar conforme a exigência do mercado, foram cada vez se apresentando menos na zona sul e se concentrando mais na zona norte e subúrbio do Rio de Janeiro. Por saber identificar com perfeição as necessidades de seu público, que é essencialmente manter um pique de agito para a galera poder dançar e sarrar apesar de todas as suas frustrações da semana, The Bubbles rapidamente passou a ser identificado como uma das melhores e mais respeitadas bandas de baile da cidade.

De uma banda capaz de atrair facilmente cerca de trezentos a quatrocentas pessoas em apresentações em colegios, para atrair quinhentas a mil e quinhentas pessoas em bailes, The Bubbles já atraem por volta de cinco mil pessoas em apresentações nos fins de semana. Em 1970, são contratados como banda da cantora Gal Costa, em show dirigido por Jards Macalé e Hélio Oiticica. Em meados do mesmo ano, visitam Caetano e Gil na Inglaterra durante o periodo de exilio dos dois baianos. Enquanto lá, assistem o festival na Ilha de Wight, serie de apresentações que terá grande impacto sobre a banda e influência na música que passarão a fazer dali em diante. Ao retornar para o Brasil, mudam a referência musical da banda passando a ser mais voltados ao blues-rock pesado. Começam também a compor seu próprio material. Pouco depois, mudam de nome e passam a se chamar A Bôlha.

A Bôlha (70-78)

Renato Fronzi Ladeira - guitarra, teclados e vocais
Pedro Lima - guitarra
Arnaldo Brandão - baixo
Ricardo Bittencourt - bateria

O primeiro show do A Bôlha foi em Niteroi para um público de quinhentas pessoas. Tudo em relação à banda pegou todos no baile de surpresa. A diretoria do clube promoveu a noitada como The Bubbles direto de Ilha de Wight, ignorando completamente a informação dada com antecedência de que a banda havia mudado de nome. E durante o show, tocando apenas o repertório novo, que por sinal eram composições novas que ninguém conhecia. O resultado foi desastroso com um período de vaias seguidos por abandono do salão. Ao final do show, haviam menos de quinhentos marmanjos assistindo curiosos enquanto suas namoradas resmungavam. Ninguém dançou.

Passaram a tentar se apresentar em teatros porém o dinheiro arrecadado na bilheteria muitas vezes mal dava para pagar o alugel do local. A aceitação da nova proposta da banda e novo repertório, eram nestas ocasiões bem maior, porém o grande público de A Bôlha continuava sendo o público de bailes, querendo dançar nos sábados a noite.

O sucesso financeiro encontrado através dos bailes fez com que seus integrantes fossem acostumados a um certo nível de comforto. Compraram no passado móveis e imóveis, e prestações precisavam ser pagas. Uma realidade de mercado obrigou a banda a rever suas concepções iniciais. Procuram um meio termo montando um repertório híbrido e banindo várias das canções novas do grupo em palco. Ao mesmo tempo, procuravam aproveitar os ensaios para os aperfeiçoar cada vez mais.

Surge então a oportunidade da primeiras sessões de gravação profissionais. Lançam assim em 1971, um compacto simples pela gravadora Top Tape com as músicas, “Sem Nada”/“Dezoito e Trinta.” A falta de repercussão com o trabalho somados a perda gradativa de seu público maior causam incertezas entre integrantes quanto à validade ideológica encontrada em power-chord blues e rock pauleira. A terceria formação de A Bôlha seria montado então em 1972.

Em final de 1971, foi a vez de Ricardo Bittencourt deixar o grupo. Com um show importante marcado no Clube Monte Libano, A Bôlha servindo como banda de apóio para Sergio Mendes, Ricardo foi substituído inicialmente por Johnny (?). No entanto, o pai de Johnny não permitiu a seu filho se envolver seriamente com rock e o obrigou a deixar o conjunto e se dedicar mais aos estudos. Com calma e mais tempo para procurar alguém à altura da seriedade que a banda precisava, encontram Gustavo Shroeter.

A persistência do grupo em investir no próprio som e na própria imagem é paga quando conseguem um contrato com a gravadora Continental para o que se torna o álbum de estreia da banda. Entitulado “Um Passo À Frente,” o disco se propõe a ser exatamente isto. Lançado em 1973, o disco oferece sete faixas, todas composições próprias.

Renato Fronzi Ladeira - guitarra, teclados e vocais
Pedro Lima - guitarra
Arnaldo Brandão - baixo
Gustavo Shroeter - bateria

01. Um Passo À Frente (Renato Ladeira - Pedro Lima - Gustavo Schroeter - Lincoln Bittencourt)
02. Razão De Existir (Pedro Lima)
03. Bye My Friend (Pedro Lima)
04. Epitáfio (Renato Ladeira - Pedro Lima - Gustavo Schroeter - Lincoln Bittencourt)
05. Tempos Constantes (Pedro Lima)
06. A Esfera (Pedro Lima)
07. Neste Rock Forever (Wolf - Pedro Lima - Carlos Maciel)

Considerado por muitos como a melhor fase do grupo, infelizmente esta formação dura apenas por um ano. A Bôlha vê 1974 chegar tendo que montar uma nova cozinha. Arnaldo ao deixar a banda, passa a acompanhar Raul Seixas e depois Jorge Mautner, já como membro da banda Bomba Atômica. Gustavo deixaria o grupo para se juntar à nova encarnação do Veludo, antigo Veludo Elétrico. Já na nova encarnação de A Bôlha, no baixo retorna Lincoln Bittencourt, enquanto na bateria chega o novato Léo Cesar. Para que Renato possa cuidar exclussivamente dos teclados, Marcelo Sussekind adere à trupe transformada agora pela primeira vez em um quinteto.

Renato Fronzi Ladeira - teclados e vocais
Pedro Lima – guitarra
Marcelo Sussekind - guitarra
Lincoln Bittencourt - baixo
Léo Cesar - bateria

Em 1976, Sérgio Herval assume a bateria no lugar de Léo e a banda se prepara para gravar o seu segundo álbum, agora pela gravadora Polydor. Este, ao contrário do anterior, apresenta várias versões de composições conhecidas, velhos roques da Jovem Guarda, além das composições da banda. Um reflexo desta direção está no nome “É Proibido Fumar”, titulo de um rock clássico de Roberto e Erasmo. A relação das faixas e seus compositores segue com:


É Proibido Fumar (1977)

Renato Fronzi Ladeira - teclados e vocais
Pedro Lima – guitarra
Marcelo Sussekind - guitarra
Lincoln Bittencourt - baixo
Sérgio Herval – bateria

01. Deixe Tudo de Lado (Nixon - A Bolha)
02. Difícil É Ser Fiel (A Bolha - Edil)
03. É Proibido Fumar (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
04. Estações (Renato Ladeira)
05. Sai do Ar (Massadas - A Bolha)
06. Consideração (Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
07. Torta de Maçã (Massadas - A Bolha)
08. Luzes da Cidade (Ramos - Márcio)
09. Clímax (Jean Pierre - A Bolha)
10. Vem Quente Que Eu Estou Fervendo (Carlos Imperial - Eduardo Araújo)
11. Talão de Cheque (Massadas - A Bolha)

No mesmo ano, todos os integrantes de A Bôlha menos Renato Ladeira, se associam ao Erasmo Carlos, para a faixa “A Terceira Força” (Erasmo Carlos - Roberto Carlos) do próximo álbum de sua carreira, “Pelas Esquinas de Ipanema” lançado também pela Polydor em 1978. A banda nesta faixa sendo:

Erasmo Carlos - vocais
Rubinho Barra - piano
Pedro Lima – guitarra
Marcelo Sussekind - guitarra
Lincoln Bittencourt - baixo
Sérgio Herval - bateria

Em 1978, A Bôlha encerra definitivamente suas atividades. Com quatorze anos de existência e dois discos de pouca vendagem, tornam-se um exemplo clássico de como era dificil sobreviver fazendo rock na era pré Rock ‘n’ Rio. Quase todos os seus integrantes tiveram carreiras significativas no meio da música, muitos conhecendo sucesso nacional em outras bandas.

Rentato Ladeira - Herva Doce
Pedro Lima - Herva Doce
Marcelo Sussekind - Herva Doce, produtor
Sérgio Herval - Roupa Nova
Arnaldo Brandão - Doces Bárbaros, Outra Banda da Terra, Brylho da Cidade e Hanoi Hanoi
Gustavo Shroeter – Veludo, Porque Sim e Cor do Som

A Bolha está volta sim, a legendária banda carioca, que se reuniu para gravar tema para a trilha do filme '1972', de Ana Maria Bahiana e José Emílio Rondeau, e no qual são retratados com destaque, aproveitou o embalo para registrar parte do inédito repertório de sua fase mais incandescente, àquela entre 1969 e 1972, que trazia em sua formação Renato Ladeira (vocal, guitarra e teclados), Arnaldo Brandão (vocal e baixo), Pedrinho Lima (vocal e guitarra) e Gustavo Schroeter (bateria). Formada como The Bubbles, em plena revolução beatlemaníaca, e liderada pelos irmãos César e Renato Ladeira, a banda logo conquistou seu espaço. Em pouco tempo tornou-se uma das mais requisitadas pelos clubes da cidade, até ser apontada como o principal elo de conexão dos jovens cariocas com o que havia de melhor no cenário do rock internacional. Daí, até se transformar numa potente “usina sonora”, foi só uma questão de tempo. Em É Só Curtir, A Bolha resgata alguns de seus clássicos, além de grandes sucessos da nossa música, de Gal Costa ("Cinema Olympia") a Raul Seixas ("Não Pare Na Pista´, originalmente gravada em 1973 com o acompanhamento da própria banda carioca). Participação especial de Erasmo Carlos em "Você Me Acende".

domingo, 8 de abril de 2007

JEFFERSON AIRPLANE

Grace Slick & The Great Society - Conspicuous Only In It's Absence 1966



Surrealistic Pillow (1967)


Ano Bastante produtivo esse de 1967 para a trupe. O segundo disco lançado pela banda e com as famosas "Somebody To Love", "White Rabbit" e "Today", além do lindo solo instrumental de violão "Embryonic Journey".

Movimento psicodélico com toda a força!


After Bathing At Baxter's (1967)

Atendendo a pedidos, bem atrasado por sinal (espero que ainda sirva!). E mais porque Jefferson Airplane é beeeem diferente de Jefferson Starship!

O terceiro disco da banda. É um dos meus favoritos!

Divirtam-se!




Jefferson Airplane - Crown of Creation


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1. Lather 2:58
2. In Time 4:13
3. Triad 4:56
4. Star Track 3:10
5. Share A Little Joke 3:10
6. Chushingura 1:20
7. If You Feel 3:24
8. Crown Of Creation 2:54
9. Ice Cream Phoenix 3:00
10. Greasy Heart 3:28
11. The House At Pooneil Corners 5:51
12. Ribumbabap Rubadubaoumoum 1:34
13. Would You Like A Snack 2:40
14. Share A Little Joke (Mono Single Version) 3:09
15. The Saga Of Sydney Spacepig 10:33

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Bless I'ts Pointed Little Head - 1968



Paul Kantner & Grace Slick - Sunfighter 1971









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1972

sábado, 7 de abril de 2007

JACK BRUCE



Jack Bruce foi o primeiro executante de baixo a ser reconhecido pelo público, que, da mesma forma que com a guitarra de Eric Clapton ou a bateria de Ginger Baker, o identificava imediatamente, desde os tempos do Cream, não importa com quem tocasse. E Foram muitos os grupos em que atuou, desde de o coimercial Manfred Mann até o envolvimento com o jazz experimental do Lifetime ou com o jazz-rock da ópera "Escalator Over The Hill", de Carla Bley e Paul Hanes.

De família operária de Glasgow, mas educado como músico erudito, Bruce recebeu influências de Bach a Stravinky, de Charlie Parker a canções folclóricas escocesas. Mas como outros grandes músicos do rock, ele apareceu tocando em bandas de rhythm' blues em Londres nos anos 60. Durante algum tempo, fez parte da Alexis Korner Blues Incorporated, de onde se desenvolveu a Graham Bond Organization. Tocou ao lado de apesar da antipatia mútua, até o Cream acabar em 1969. A Graham Bond Organization, liderada por Bond, morto em 1974, era mais do que uma banda pioneira, seguindo tendências que misturavam R & B e jazz.

Embora não tivesse ainda desenvolvido o estilo que seria parte essencial do som do Cream, a maneira de tocar de Bruce com Bond era de uma ferocidade de ataque incomum aos baixistas daquele período. Nos tres LPs gravados com Bond, Bruce mostra notas ágeis e claras, importantes, embora não decisivas, por o som do grupo. Às vezes, tocava o baixo acústico, e seus blues, executados na harmônica, fizeram parte do repertório da Graham Bond Organization. A harmônica de Bruce pode ser ouvida em "Traintime" do disco de Bond "The sound of 65'", uma canção que Bruce levou para o repertório do Cream.

A importância que Bruce obteve para o baixo elétrico foi uma das razões pelas quais permaneceu com Manfred Mann o tempo suficiente para gravar um single, "Pretty Flamingo" (um enorme sucesso para o grupo em 1966), e um extended-play: "Instrumental Asylum". Aparentemente, o baterista do Manfredd Mann, Mike Hugg, considerava o toque 'duro' de Bruce incompatível com seu estilo à bateria, apesar de os dois tocarem juntos pelo menos durante um ano.

Mais ou menos nesse período, Bruce teria tocado com John McVie, Eric Clapton, Hughie Flint e John Mayall nos Bluesbreakers. Desse período existe somente a gravação da música de T. Bonnie Walker, "Stormy Monday", onde, embora executasse uma furiosa performance de Clapton, Bruce ficou apagado na mixagem.

Quando se uniu a Clapton para formar o Cream em 1966, Bruce logo fortaleceu sua reputação como primeiro baixista de rock.
- Na verdade, éramos músicos pesados, disse na época.
Ele não estava brincando, e, se é possível dizer que o Cream se apoiou em um músico, foi em Bruce, que além de tocar baixo, também co-escreveu com o poeta Pete Brown a maior parte do repertório da banda.
Foi também o principal vocalista e responsável pela abertura dos horizontes de grupo em relação a um som mais pop.

Como o Jimi Hendrix Experience, seu contemporâneo, o Cream era um trio e cabia a cada membro da banda a mesma carga de responsabilidade. Isto significa que Bruce tinha que trabalhar mais que um simples tocador de baixo elétrico, ou seja,marcar o tempo e fazer odesenho harmônico para que o cantor e guitarrista pudesse tomar a liderança.

O próprio Clapton afirmou que, durante as famosas e longas improvisações do Cream ao vivo, era Bruce quem tomava a iniciativa, enquanto ele seguia com Baker, encaixando o que lhes viesse à cabeça.

Com o Cream, Bruce estabeleceu um tom único para o baixo elétrico. Um zumbido forte e, às vezes enfurecido, como na apresentação ao vivo da composição de Albert King "Sitting On The Top Of The World", do LP do Cream "Goodbye" de 1969, onde o toque de Bruce é definitivo na criação de uma das execuções mais pesadas do blues-rock. A última característica já é muito evidente no LP do Cream "Disraeli Gears" de 1967.

É preciso considerar também o lado mais lírico de sua personalidae musical, que aparece no terceiro LP do Cream, "Wheels Of Fire", lançado em 1968, uma gravação que mostrou as características de cada membro da banda.
Quando o Cream acabou, em 1969, Bruce ao invés de formar uma nova banda, gravou um LP, "Songs For a Taylor" (o título refere-se à uma groupie costureira da banda Fairport Convention, que morreu em um acidente de automóvel).

Nele Bruce era acompanhado por instrumentistas como o flautista Dick Heckstall-Smith (que já tocara com o Bruce na Graham Bond Organization e no Blues Incorporated) e o baterista John Hiseman, então liderando seu próprio grupo, o Coloseum, um dos grupos mais respeitados no segmento jazz-rock. Mas não há dúvida sobre a quem pertencia o disco, não somente pelo fato de Bruce tocar o baixo da maneira mais estonteante jamais gravada, mas também por ter escrito todas as canções, e tocar teclados e cantar.

Somente tres baixistas de rock foram bem sucedidos ao gravar seus LPs solo: Paul McCartney, John Entwistle, do The Who, e Jack Bruce. E dos tres Bruce ó o único músico que calcou a maior parte no baixo.

Bruce conseguiu riffs brilhantes e cheios de imaginação, como na faixa "Never Tell Your Mother She's Out Of Tune", executada com tal ferocidade que o baixo de Bruce quase chega a grunhir.

A grande sacação de "Song For A Taylor" foi transformar o baixo elétrico em um instrumento autônomo, em vez de um mero acompanhador.

Este disco impressionante é um verdadeiro clássico do rock Bruce ainda está por transcender.

Pra resumir: Jack Bruce é sem dúvida alguma, juntamente com Paul McCartney, John Entwistle e Chris Squire, um dos maiores contrabaixistas de toda a história da música pop (devo dizer que toco contrabaixo graças a ter ouvido muito estes 4 caras...)
Este seu 1° album solo, entitulado "Song For A Taylor" é simplesmente sensacional. Excelentes faixas muito bem executadas e com Bruce interpretando cada canção com uma alma incrível. Me desculpem os pitacos, mas minhas recomendações especiais são para "Theme From an Imaginary Western", "To Isengard" e a melhor de todas "Rope Ladder To The Moon".


Faixas:
01 - Never Tell Your Mother She's Out Of Tune
02 - Theme for an Imaginary Western
03 - Tickets to Water Falls
04 - Wierd of Hermiston
05 - Rope Ladder to the Moon
06 - The Ministry of Bag
07 - He the Richmond
08 - Boston Ball Game
09 - To Isengard
10 - The Clearout


Em 1970, Jack Bruce produziu um LP inteiro de jazz com John Hiseman, Dick Heckstall-Smith e o guitarrista virtuose John McLaughlin. Este album é uma outra proposta, totalmente diferente de seu predescessor.

A carreira de Bruce nos anos 70 foi confusa e sem rumo. Envolveu-se com o sub-Cream (o Mountain não foi outra coisa, com excessão do baixista e produtor Felix Pappalardi), com o West, Bruce e Laing. Tocou com a banda do baterista Tony Williams, o Lifetime e, ocasionalmente, formou suas próprias bandas, como a com o guitarrista Chris Spedding e o baterista John Marshall.

Com muita publicidade, Bruce reapareceu em 1974 com umnovo LP, "Out Of The Storm", o qual além de não atingir a qualidade de "Songs For A Taylor", mostrou que Bruce estava gasto.

Em 1975, anunciou-se que o guitarrista dos Rollings Stones, Micky Taylor que estava deixando a banda, e a tecladista Carla Bley, com quem Bruce tocara em "Escalator Over The Hill" (essencialmete um trabalho de jazz vanguardista), iriam formar a nova banda de Jack Bruce. E então surgiu o album "The Jack Bruce Band". Pouco tempo depois do lançamento, Taylor e Bley desfizeram o grupo.

Apesar de tantas mudanças, não há dúvida que Jack Bruce é um dos músicos que fizeram respeitar o artista de rock mais por sua música do que por suas qualidades como showman.

Uma vez perguntaram a Bruce como é que ele conseguia se envolver com tantas correntes musicais.
- Não mudo meu estilo conscientemente, se estou tocando jazz ou pop. Toco sempre a mesma coisa e é somente a música à minha volta que é diferente. Para mim, existe música, e só importa se é boa ou má.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

LENO

Vida e Obra de Johnny McCartney (1971)
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01. Johnny McCartney
02. Por que Não?
03. Lady Baby
04. Sentado no Arco-Íris
05. Pobre do Rei
06. Peguei uma Apollo
07. Sr. Imposto de Renda
08. Não há Lei em Grilo City
09. Convite para Ângela
10. Deixo o Tempo Me Levar
11. Contatos Urbanos
12. Bis
13. Johnny McCartney


Em 1970, já separado de Lilian (com quem fez uma dupla de sucesso na Jovem Guarda), Leno preparava-se para lançar pela CBS seu terceiro disco solo, "Vida e obra de Johhny McCartney", que deveria ter sido lançado em 1971 - mas só saiu em 1995, pelo selo independente de Leno. Visionário, o disco mostrava algumas novidades para a época: era gravado em oito canais e trazia um som bem mais realista e pesado do que costumeiramente era visto em rock nacional.
Além disso, tinha em sua ficha técnica o grupo de rock A Bolha e um desconhecido produtor-compositor-cantor-arranjador, um tal de Raul Seixas... O tal disco, com ares de LP "conceitual", no entanto, ficaria arquivado de 1971 a 1995, quando finalmente seria lançado pelo próprio selo indepedente de Leno, sem muito alarde.
Vida e obra de Johnny McCartney, um disco totalmente inovador e contestador, é uma das páginas mais intrigantes da história do nosso rock.
Antes, Leno, ou melhor, Gileno Azevedo, era mais conhecido pela dupla com Lilian Knapp, na década de 60. Apesar das brigas nos bastidores, a dupla conseguiu emplacar uma série de sucessos, a maioria deles pontos de referência até hoje quando se fala em Jovem Guarda. Sempre que algum cantor "cabeça" quer dar um ar mais popular ao seu repertório, acaba recorrendo a canções como "Devolva-me" (gravada por Adriana Calcanhoto) e "Pobre menina". Alguns desses sucessos eram assinados por Renato Barros, guitarrista do grupo Renato & Seus Blue Caps, amigo de Leno e namorado de Lilian.A carreira solo de Leno, após o fim da dupla com Lilian, inicou-se com sucessos como "A pobreza" (aquela mesma, do "a garota que eu adoro, por quem tanto choro, não pode me ver..").
Gravando na CBS, o cara acabou tendo contato com um dos produtores da casa, ninguém menos que Raul Seixas, que na época usava o pseudônimo de Raulzito e compunha músicas para Leno & Lilian, Odair José, Ed Wilson e Renato & seus Blue Caps - Raul dizia ter composto cerca de 80 músicas entre 1969 e 1973, sendo que algumas delas se tornaram grandes sucessos, como "Doce doce amor" (Jerry Adriani) e "Sha-la-la" (com o próprio Leno).
O disco que seria Vida e obra de Johhny McCartney só poderia ser pensado, obviamente, após o esvaziamento da estética naif da Jovem Guarda - que levou vários artistas daquele período a se arriscarem em trabalhos arrojados e diferentes do "iê iê iê romântico" da década de 60 - e à separação dos Beatles, que inspirou o título do álbum.
Outros detalhes estavam em jogo: o contato de Leno e Raul havia gerado uma série de músicas pesadas, inspiradas no hard rock e na fusão com o soul em voga na época (a banda hard carioca A Bolha acabou sendo chamada para gravar quatro músicas) e Raul, já com um pé fora da "linha de montagem" da CBS, ousou trabalhar quase em parceria com Leno, escrevendo várias letras e fazendo backing vocals além de produzir. "Sentado no arco-íris", uma das faixas, era, segundo Raul, a primeira letra que ele se orgulhava de ter escrito.

O DISCO: Vida e obra de Johnny McCartney até pelo cacife dos músicos envolvidos (imagine a historinha: "músico popular-brega enlouquece e resolve gravar um disco de rock´n roll pesado ao lado de um produtor também tão brega e maluco quanto ele e de uma desconhecida banda rockeira pesada") não poderia mesmo ter feito sucesso.
Se lançado em 1971, poderia ter se tornado um disco cultuado. Ouvido hoje, se não soa atual, pelo menos impressiona. Entre músicas de Leno, parcerias com Raul (creditadas a "Raulzito Seixas") e contribuições de amigos, pesca-se um som que tem mais a ver com bandas como Sly & The Family Stone, Beatles pós-67, Cream e Steppenwolf, como na faixa título. Outras faixas seguem essa linha, como "Por Que não?" (plágio descacetado de "All right now", do Free) e a já citada "Sentado no arco-íris", com um marcante riff de guitarra, ritmo inspirado no Cream e uma letra de inspiração gospel, que chega a falar em "gente sem terra, gente sem nome". Segurando a onda de Leno, haviam Renato Barros, Raul Seixas, Paulo César Barros, o pessoal da Bolha (Pedro Lima, Renato Ladeira, Arnaldo Brandão e Gustavo Schroeter) e o grupo uruguaio The Shakers.
Em algumas faixas, Leno voltava ao passado. "Lady baby" trazia um arranjo claramente inspirado nos Beatles e na Jovem Guarda - acabou se tornando, por sinal, uma das poucas músicas do disco a ser lançada em single -, o mesmo acontecendo no rock "Deixo o tempo me levar". De resto... "Pobre do rei", composta por Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, era uma espécie de versão beatle de O rei que não sabia de nada (aquele livrinho infantil que todo mundo leu no colégio) e acabou censurada - Marcos a regravaria no disco Garra com o nome "Jesus meu rei". O rock´n roll "Peguei uma Apollo", pertencente ao repertório da Bolha, acabou sendo uma das poucas a passarem batidas pela censura, que estranhamente não implicou com os versos "mas que coisa sub, sub/envolvida/sub, sub/entendida". O irônico country-rock "Sr. Imposto de renda" (definido no encarte como "a nossa 'Taxman' "), por sua vez, só seria liberado se todos os censores tivessem tomado ácido - assim como em "Não há lei em Grilo city", que trazia versos como "a realidade fere, fere até você e eu (...)/e o xerife aponta, desmonta e conta/John Wayne é o seu herói". Já que a história aponta que os EUA financiavam a ditadura nos países latino-americanos... E a loucura dos censores era tanta que a implicância maior acabou sendo com o verso "bisa comigo", da inocente "Bis" - que encerra o disco junto a uma coda da faixa-título.
Para quem costuma acompanhar a carreira de Raul, uma das músicas é especialmente curiosa: "Convite para Ângela" traz uma melodia idêntica à de "Sapato 36", música que Raul gravaria em 1977 (mas sem crédito para Leno). Já a countryficada "Contatos urbanos", composta por outro produtor da CBS, Ian Guest, era uma espécie de "Sinal fechado" (aquela música do Paulinho da Viola) versão pós-Jovem Guarda. Mesclando inocência jovemguardista, peso, tons político-sociais nada discretos e fortes mudanças de paradigma, Vida e obra de Johhny McCartney foi, no fim das contas, uma das mais interessantes pedras colocadas sobre a tumba do iê-iê-iê.

E DEPOIS?: Das 13 faixas de Johnny McCartney só quatro foram editadas num compacto duplo da CBS: "Johhny Mc Cartney", "Peguei uma Apollo", "Lady Baby" e "Convite para Ângela". Quando a censura deu o golpe fatal no disco, a CBS escutou o conteúdo e determinou o arquivamento do LP.
Se o clima tenso e contestador de letras como "Sentado no arco íris" havia desagradado os censores, as melodias nada comerciais (para a época) do LP também não tiveram o menor êxito com a gravadora.
Pior: numa mudança de gravadora, ainda nos anos 70, Leno procurou pelo tape e soube por um funcionário da CBS que as fitas originais haviam sido apagadas. Como as fitas masters de discos antigos eram guardadas sem o menor cuidado, era provável que Vida e obra... já tivesse ido parar na lata de lixo.
O disco só foi sair porque, em 1994, o pesquisador musical Marcelo Fróes (aquele mesmo, do International Magazine), achou os tapes originais, guardados em duas caixas empoeiradas nos arquivos da Sony music.
Lançado em pequena tiragem no ano de 1995, foi como se não tivesse saído nunca: poucas revistas noticiaram o fato e as rádios não tocaram nada do disco, que hoje está esgotado. Se a censura já havia sacaneado geral, o pior castigo para Leno e seu Johhny McCartney foi terem perdido o trem do reconhecimento, ainda que tardio.

Texto de Ricardo Schott, publicado no site discotecabasica.com.


JOÃO DONATO

1970 - A Bad Donato

O João Donato mau (ou maldito) – com cara de traficante colombiano, como aparece na capa do disco "A Bad Donato" (Gravadora Dubas) – serviu primeiro para assustar aos que estavam acostumados ao seu estilo. Saía Donato de estilo suingado, com piano bossa nova temperado com calientes ritmos do Caribe, e entrava o Donato elétrico, influenciado pelo jazz-rock, por Hendrix e por Brown.
Em 1970, João Donato – já mais de uma década morando nos EUA (mudou-se para lá em 1959) e com trabalhos com Mongo Santamaria (quando saiu do conjunto foi substituído por Chick Corea), Tito Puente e Cal Tjader – decidiu gravar em Los Angeles um disco em que fizesse uma fusão de MPB com jazz, funk rock e eletrônica.
Agora, em plena fase de incontinência fonográfica – nos últimos tempos, entre lançamentos e relançamentos, sete CDs seus foram colocados no mercado -, Donato é homenageado com a reedição de um de seus trabalhos mais importantes. Mais comentado do que ouvido, A Bad Donato, lançado pela pequena Blue Thumb, logo saiu de catálogo.
"A Bad Donato" no Brasil, nunca chegou a ser comercializado e a versão que chega agora pela gravadora Dubas só encontra similar no mercado do Japão, onde João Donato é reverenciado. Nessas três décadas, o disco, talvez até por influência do nome, tornou-se "maldito", ainda que o próprio autor deboche da sua fama de mau, como evidencia a foto da contracapa em que ele aparece "fantasiado" de hippie.
Como confessa no encarte que acompanha o CD, Donato não sabia o que queria nem como gravaria. Ganhou autorização da gravadora para comprar os instrumentos que achasse necessário e tempo para ficar em casa descobrindo como tirar cada som dos teclados....
Dois anos depois, como não havia mais nada para explicar para os americanos, João Donato deu por encerrada a sua temporada nos EUA. Com o cachê arrecadado com o disco, ele compraria uma passagem de avião. De volta para o Brasil.

{Márcio Pinheiro - O Estado de S. Paulo (05-01-2005)}

1. A rã
2. Celestial Showers
3. Bambu
4. Lunar tune
5. Cadê Jodel? [The beautiful one]
6. Debutante's ball
7. Straight Jacket
8. Mosquito [Fly]
9. Almas irmãs
10. Malandro

SÉRGIO SAMPAIO

1973 - Eu quero é botar meu bloco na rua

1. Lero e leros e boleros
2. Filme de terror
3. Cala a boca Zébedeu
4. Pobre meu pai
5. Labirintos negros
6. Eu sou aquele que disse
7. Viajei de trem
8. Não tenha medo, não (rua Moreira, 65)
9. Dona Maria de Lourdes
10. Odete
11. Eu quero é botar meu bloco na rua
12 Raulzito Seixas

http://www.4shared.com/file/10162473/a20403c4/1973_Eu_Quero__Botar_Meu_Bloco_na_Rua.html

WOODSTOCK




Disco: 1
1. Handsome Johnny - Richie Havens
2. Freedom - Richie Havens
3. The 'Fish' Cheer/I-Feel-Like-I'm-Fixin'-To-Die Rag - Country Joe McDonald
4. Rainbows All Over Your Blues - John B. Sebastian
5. I Had A Dream - John B. Sebastian
6. If I Were A Carpenter - Tim Hardin
7. Beautiful People - Melanie
8. Coming Into Los Angeles - Arlo Guthrie
9. Walking Down The Line - Arlo Guthrie
10. Joe Hill - Joan Baez
11. Sweet Sir Galahad - Joan Baez
12. Drug Store Truck Drivin' Man - Joan Baez
13. Soul Sacrifice - Santana
14. Blood Of The Sun - Mountain
15. Theme For An Imaginary Western – Mountain
Disco: 2
1. Leaving This Town - Canned Heat
2. Going Up The Country - Canned Heat
3. Commotion - Creedence Clearwater Revival
4. Green River - Creedence Clearwater Revival
5. Ninety-Nine And A Half (Won't Do) - Creedence Clearwater Revival
6. I Put A Spell On You - Creedence Clearwater Revival
7. Try - Janis Joplin8. Work Me Lord - Janis Joplin
9. Ball & Chain - Janis Joplin
10. Medley: Dance To The Music/Music Lover/I Want To Take You Higher - Sly & The Family Stone
11. We're Not Gonna Take It - The Who
Disco: 3
1. Volunteers - Jefferson Airplane
2. Somebody To Love - Jefferson Airplane
3. Saturday Afternoon/Won't You Try - Jefferson Airplane
4. Uncle Sam Blues - Jefferson Airplane
5. White Rabbit - Jefferson Airplane
6. Let's Go Get Stoned - Joe Cocker
7. With A Little Help From My Friends - Joe Cocker
8. Rock & Soul Music - Country Joe & The Fish
9. I'm Going Home - Ten Years After
10. Long Black Veil - Band
11. Loving You Is Sweeter Than Ever - Band
12. The Weight - Band
13. Mean Town Blues - Johnny Winter
Disco: 4
1. Suite: Judy Blue Eyes - Crosby, Stills, & Nash
2. Guinnevere - Crosby, Stills, Nash & Young
3. Marrakesh Express - Crosby, Stills, Nash & Young
4. 4 + 20 - Crosby, Stills, Nash & Young
5. Sea Of Madness - Crosby, Stills, Nash & Young
6. Find The Cost Of Freedom - Crosby, Stills, & Nash
7. Love March - Paul Butterfeild Blues Band
8. At The Hop - Sha Na Na
9. Voodoo Chile (Slight Return)/Stepping Stone - Jimi Hendrix
10. Star Spangled Banner - Jimi Hendrix
11. Purple Haze - Jimi Hendrix

domingo, 1 de abril de 2007

MONTEREY INTERNATIONAL POP MUSIC FESTIVAL - June 16, 17, and 18, 1967

DISC 1-(partytime1)
1. John Phillips / Festival Introduction
2. The Association / Along Comes Mary
3. The Association / Windy
4. Lou Rawls / Love Is A Hurtin' Thing
5. Lou Rawls / Dead End Street
6. Lou Rawls / Tobacco Road
7. Eric Burdon & The Animals / San Franciscan Nights
8. Eric Burdon & The Animals / Hey Gyp
9. Canned Heat / Rollin' And Tumblin'
10. Canned Heat / Dust My Broom
11. Canned Heat / Bullfrog Blues
12. Country Joe & The Fish / Not So Sweet Martha Lorraine
13. Big Brother & The Holding Company / Down On Me
14. Big Brother & The Holding Company / Combination Of The Two
15. Big Brother & The Holding Company / Harry
16. Big Brother & The Holding Company / Road Block
17. Big Brother & The Holding Company / Ball And Chain

DISC 2-(partytime2)
1. The Butterfield Blues Band / Look Over Yonders Wall
2. The Butterfield Blues Band / Mystery Train
3. The Butterfield Blues Band / Born In Chicago
4. The Butterfield Blues Band / Double Trouble
5. The Butterfield Blues Band / Mary Ann
6. The Steve Miller Band / Mercury Blues
7. The Electric Flag / Groovin' Is Easy
8. The Electric Flag / Wine
9. Hugh Masekela / Bajabula Bonke (Healing Song)
10. The Byrds / Renaissance Fair
11. The Byrds / Have You Seen Her Face
12. The Byrds / Hey Joe (Where You Gonna Go)
13. The Byrds / He Was A Friend Of Mine
14. The Byrds / Lady Friend
15. The Byrds / Chimes Of Freedom
16. The Byrds / So You Wanna Be A Rock & Roll Star
17. Ravi Shankar / Dhun: Fast Teental (Excerpt)
18. The Blues Project / The Flute Thing

DISC 3-(partytime3)
1. Jefferson Airplane / Somebody To Love
2. Jefferson Airplane / The Other Side Of This Life
3. Jefferson Airplane / White Rabbit
4. Jefferson Airplane / High Flyin' Bird
5. Jefferson Airplane / She Has Funny Cars
6. Booker T. & The MG's / Booker-Loo
7. Booker T. & The MG's / Hip Hug-Her
8. Booker T. & The MG's With The Mar-Keys / Philly Dog
9. Otis Redding / Shake
10. Otis Redding / Respect
11. Otis Redding / I've Been Loving You Too Long (To Stop Now)
12. Otis Redding / Satisfaction
13. Otis Redding / Try A Little Tenderness
14. The Who / Substitute
15. The Who / Summertime Blues
16. The Who / Pictures Of Lily
17. The Who / A Quick One While He's Away
18. The Who / Happy Jack
19. The Who / My Generation

DISC 4-(partytime4)
1. The Jimi Hendrix Experience / Killing Floor
2. The Jimi Hendrix Experience / Foxey Lady
3. The Jimi Hendrix Experience / Like A Rolling Stone
4. The Jimi Hendrix Experience / Rock Me Baby
5. The Jimi Hendrix Experience / Hey Joe
6. The Jimi Hendrix Experience / Can You See Me
7. The Jimi Hendrix Experience / The Wind Cries Mary
8. The Jimi Hendrix Experience / Purple Haze
9. The Jimi Hendrix Experience / Wild Thing
10. The Mamas & The Papas / Straight Shooter
11. The Mamas & The Papas / Got A Feelin'
12. The Mamas & The Papas / California Dreamin'
13. The Mamas & The Papas / I Call Your Name
14. The Mamas & The Papas / Monday, Monday
15. Scott McKenzie / San Francisco (Be Sure To Wear Flowers In Your Hair)
16. The Mamas & The Papas / Dancing In The Street (Festival Finale)

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Parte 2 -
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Parte 3 -
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Parte 4 -
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